terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cristolândia RJ

Inicia o mês de fevereiro. Decido finalmente visitar o projeto Cristolândia RJ instalado na Central do Brasil. Essa decisão foi difícil, pois tenho, ou tinha, resistência ao trabalho com população de rua em situação de abandono. Entrei em contato com o pastor responsável pelo trabalho, que gentilmente me orientou para à visita a ser realizada no dia seguinte. Quinta-feira, dia 09, saí do Humaitá e fui à Junta de Missões Nacionais, da Convenção Batista Brasileira, para adquirir a blusa padrão para participar do trabalho. Segui do bairro de Vila Isabel para a Central do Brasil. Cheguei a Central e comecei a pensar enquanto observava os vários rostos cansados, suados, maquiados, sujos, assustados, drogados, alcoolizados, doentes, desesperados, barbados, esperançosos, será que vou conseguir olhar para àquelas pessoas sem repulsa, com respeito e compaixão? Demorei um pouco a localizar o prédio, pois não há propaganda externa. Finalmente um voluntário me identifica na Rua Senador Pompeu e me resgata para entrar no projeto Cristolândia às 13 h. Senti-me feliz, com a convicção de que estava superando um obstáculo.

Encontrei um grupo de jovens, na maioria, com aproximadamente vinte pessoas presentes incluindo missionários contratados, missionários voluntários e alunos. Os alunos são os homens adultos ou jovens que estavam nas ruas da Central e espontaneamente decidem permanecer no projeto que só acolhe pessoas do sexo masculino devido a infra-estrutura do prédio de dois andares. Os alunos aprendem sobre higiene pessoal e cuidados domésticos, auxiliam aqueles que chegam em situação indigna de vida e, após algumas semanas, quando já estão com a saúde física restaurada, têm a oportunidade de aprender algo simples que os auxiliará na reintegração social. A Prefeitura do Rio de Janeiro, representada pela secretaria de saúde pública, estava visitando o local, o que faz com regularidade.

Conheci B. que estava com esperança, mas também com muitos conflitos. Conversamos rapidamente sobre a sua história de vida que aos 20 e poucos anos parecia uma história de filme trágico americano. B. não suportou a abstinência e a disciplina saudável do Projeto. Preferiu ir embora após seis dias de estadia. Todos têm liberdade para tomar essa decisão.